Conheça as Origens da Feijoada: Criada Por Escravos?

3 setembro, 2019 Novidades 2 Comentários

É comum no conhecimento popular brasileiro a tradicional história da feijoada: um prato criado pelos escravos, misturando numa panela de feijão preto várias partes do porco que eram rejeitas pelos seus senhores, como pé, orelha e rabo, para dar mais sabor ao prato. Porém, fatos históricos mostram que essa história não é verídica.

Feijoada completa de domingo!

Primeiramente, boa parte dos escravos trazidos ao Brasil eram muçulmanos (sendo eles os que protagonizaram a Revolta dos Malês na Bahia), e a religião islâmica proíbe o consumo carne de porco.

Em segundo lugar, a feijoada é similar a outros pratos europeus, os chamados “cozidos”, como a paella espanhola (feita com arroz) e o cassoulet francês (com feijão seco), além, claro do cozido português: uma mista de vegetais, peixes e carnes cozinhada lentamente em fogo baixo.

O cozido foi provavelmente o que originou a feijoada, substituindo-se os vegetais pelo feijão preto, natural da América do Sul e muito plantado no país na época, sendo seu cultivo uma herança guarani. A ideia foi também levada para Portugal e adaptada à culinária local: o feijão preto deu lugar ao feijão branco ou vermelho (dependendo da região), em conjunto com o uso da carne de porco ou de vaca em detrimento dos outros tipos de carne, junto com a adição de outros vegetais, como tomate e cenoura.

Quarta-feira é dia de almoçar feijoada em São Paulo. Aqui em BH, a tradição é na sexta, mas quem se importa? A feijoada do Jota é boa qualquer dia!

A “feijoada à brasileira” como a nossa feijoada típica ficou inicialmente conhecida (mesmo dentro do país), inicialmente era servida somente na sua forma básica: feijão preto e carnes, às vezes acompanhada por farinha de mandioca. Sem arroz ainda. No início do século XIX, a “feijoada à brasileira” já era popular no país, sendo servida em hotéis do Nordeste e “improvisada” por famílias mais pobres usando os restos de carne de outras refeições. Ela rapidamente tornou-se uma iguaria do país, sendo inclusive servida na Casa Imperial. Era muito comum a venda de carne preparada especialmente para serem usadas em feijoadas.

A adição de outras comidas ao prato, como laranja, couve refogada e o clássico arroz, é mais recente: o prato foi se incrementando com o tempo, assim como seus “parentes” europeus, e varia de acordo com a região: alguns lugares usam feijão mulatinho ao invés do preto, outros preferem carne fresca ao invés de carne seca e carne de sol, além de outros países lusófonos (como Angola, Moçambique) e até não lusófonos terem suas próprias versões da feijoada. Em alguns lugares pode não haver laranja, couve ou farinha para acompanhar, mas hoje em dia o arroz está sempre presente.

Uma feijoada serve para qualquer comemoração, é como uma sinfonia de feijão preto cozido com pedacinhos e temperos reconfortantes, servida com arroz, laranja, couve, cervejas geladas e/ou caipirinhas. A mais pura definição da cozinha saborosa do Brasil incorporada com influências culturais e combinando ingredientes de influência das tradições culinárias portuguesa e africana ocidental, responsáveis pela sua combinação única de especiarias, gosto e profundidade de sabor. A versatilidade deste prato significa que nunca haverá duas feijoadas iguais e cada cozinheiro do país tem a sua própria opinião sobre este clássico da culinária brasileira.

Tá a fim de ler mais? Que tal uma olhada na lista das melhores feijoadas de sexta-feira de Belo Horizonte?

2 Comentários

  1. admin em setembro 13, 2019 diz:

    Parabéns pelo conteúdo, além de ser claro é bem explicativo!

    Responder
  2. admin em setembro 13, 2019 diz:

    Muito bom, parabéns!

    Responder

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