Passei uma semana em Cuba e não posso dizer que minha barriga teve tanto prazer quanto outras partes do meu corpo. A cozinha tradicional cubana, muito ligada à comida criolla, até tem seus pontos fortes, na carne de rés (carne de boi cozida até desfiar), arroz congris (arroz com feijão e temperos) e outras cositas más. Mas não há tanto cuidado e respeito com a comida quanto estamos culturalmente acostumados por aqui. Escolhi falar do El Floridita, que fica em Havana, por ter sido a minha melhor experiência gastronômica na viagem, embora não retrate exatamente a cozinha cubana, que será explorada em momento oportuno.

Daiquiri Floridita
O El Floridita fica bem no centro da cidade, perto do Capitólio, Museu de Belas Artes e o Museu da Revolução. Tornou-se popular por ser um dos pontos frequentados pelo escritor Ernest Hemingway para drinks. Há o bar, logo na entrada, com mesas informais e um balcão e, aos fundos, o restaurante, razoavelmente sofisticado e com uma decoração suntuosa, teto pintado estilo capela sistina e tudo o mais.
Inevitável começar pelo Daiquiri Floridita, o famoso drink eternizado por Hemingway e carro-chefe da casa, sob o slogan La Cuna del Daiquiri – o reduto do Daiquiri, numa tradução livre. O drink é uma mistura de gelo, rum 3 anos, suco de limão, açúcar e um toque de cereja. O formato da taça é característico e valoriza o drink, que sai por cerca de 6 dólares.

Gran Plato Hemingway
Dispensamos a entrada por uns míseros pães com um azeite de terceira linha e fomos direto ao prato principal. Embora se possa comer lagostas a preços tão baixos quanto 15 dólares em Havana, fiquei tentado a experimentar um grande combinado de frutos do mar – a Lagosta Hemingway, que é bem parecida com o Gran Plato. Belos camarões, um filé de pargo insosso e uma lagosta feita aberta e prensada na chapa. Tudo sobre uma cama de vegetais (vagem, broto de feijão, berinjela e cenoura) passados na manteiga com alcaparras, que achei um acompanhamento interessante para frutos do mar. Essa belezinha saiu por 29 dólares, que é extremamente caro para os preços cubanos, mas pelo que é, para a gente, está no padrão, vai.
O que posso dizer? Tão simples quanto soa. Os camarões são bons, o que garante alguma felicidade; a lagosta já não é da melhor qualidade e o peixe é sem graça. O serviço é relaxado, padrão na cidade, enquanto músicos tocam Guantanamera ao vivo pelo menos uma vez por hora. Enfim, um lugar que se propõe a ser de primeira linha, mas que só consegue o posto pelo contexto em que se insere. Cuba tem disso: não adianta querer extrair dela o que ela não tem a oferecer.
As fotos são do próprio site do El Floridita, que infelizmente não tinha exatamente o que comi… mas dá pra ter uma ideia, né?
El Floridita
Obispo, nº 557 – Habana Vieja
La Habana, Cuba
www.floridita-cuba.com







